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Género, Conhecimento, Resistências e Ação — Coleção Estudos de Género do CIEG

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IV Congresso Internacional do CIEG

Conhecimento em Ação: Igualdade de Género, Direitos Humanos e Democracias em Perigo

3 de junho a 4 de junho de 2027

Os Estudos de Género, Feministas e sobre as Mulheres são um campo de conhecimento, crítico e relevante, pautado pela heterogeneidade, guiado pelo questionamento e orientado para o impacto social. Muitos resultados da investigação produzida têm favorecido avanços significativos no domínio da Igualdade de Género e dos Direitos Humanos, transformando as sociedades contemporâneas e as hierarquias de poder. A crescente visibilidade e os ganhos da igualdade são, paradoxalmente, acompanhados por fortes reações de quem se sente ameaçado ou incomodado pelas mudanças e desenvolvimentos.

A complexa coexistência de progressos e retrocessos nos Direitos Humanos à escala global, tem sido um tema-chave na última década, refletida desde 2016 nos programas e publicações dos Congressos Internacionais do CIEG.

Em muitos países, a ‘Policrise’ (Tooze, 2022) – ou o entrelaçamento das crises económicas, sociais, ecológicas e geopolíticas observadas – tem precipitado uma maior redefinição dos modos de produção, circulação e legitimação do conhecimento. Estas crises, sucessivas e simultâneas, são exacerbadas por fenómenos globais, como o surto pandémico e os conflitos bélicos mais recentes, resultando no agravamento das desigualdades e das condições de vida, também com impactos reais e diretos no acesso ao conhecimento e à sua produção.

Assistimos também à crescente reconfiguração do espaço público com a expansão das tecnologias digitais e das redes sociais, que intensificam fenómenos de polarização, desinformação e fragmentação da esfera pública. A emergência de regimes condicionados por fluxos informacionais, que privilegiam a emoção e o consumo instantâneo, testa a qualidade das democracias e tem consequências nas condições em que se estabelece o debate crítico e a ‘ação comunicativa’ (Habermas, 2012).

O aprofundamento das tensões entre conhecimento científico, opinião pública e decisão política tem afetado particularmente o campo dos Estudos de Género, Feministas e sobre as Mulheres, frequentemente visado por ações de instrumentalização política, simplificação mediática, ficções conspirativas ou campanhas de desinformação e deslegitimação dos resultados de investigação e das evidências científicas. Em diferentes países, inclusive nos EUA, a produção e disseminação do conhecimento têm sido alvo de limitações institucionais e/ou políticas, através de cortes no financiamento, condicionamentos curriculares ou mesmo do encerramento de cursos e programas académicos. A persistência destes ataques, já amplamente documentada, compromete as possibilidades de diálogo público, de confronto e mesmo a coragem para ‘falar ao poder’.

Compreender o lugar dos Estudos de Género, Feministas e sobre as Mulheres, num espaço público em disputa, implica continuar a interrogar sistematicamente sobre quem produz conhecimento, quem o legitima, quem o comunica e, fundamentalmente, quem é ouvido.

Nesta quarta edição do Congresso Internacional do CIEG, centramo-nos no “Conhecimento em Ação”, procurando mobilizar a articulação frutífera entre a investigação académica, as políticas públicas e as intervenções sociais na defesa e reinvenção das democracias contemporâneas. O Centro Interdisciplinar de Estudos de Género convida investigadoras e investigadores, de diferentes áreas científicas e geografias, a submeter propostas que contribuam para aprofundar o conhecimento atual sobre as desigualdades sociais, a igualdade de género e os perigos e desafios que se colocam aos direitos humanos e às democracias.

Convocam-se contributos que promovam uma reflexão crítica, interseccional e interdisciplinar sobre as relações entre conhecimento, ação e transformação social; que apresentem evidências sobre as lutas pelos direitos e pela melhoria das condições de vida; e que analisem as transformações na qualidade das democracias no atual contexto de policrise. Esperam-se contributos para o debate e apresentação de resultados de investigação em Estudos de Género, Feministas e sobre as Mulheres, enquadrados no âmbito das seguintes temáticas:

1. Democracias em perigo: resistir, reinventar, agir

•  Direitos humanos, ameaças contemporâneas e formas de resistência

•  Políticas públicas de igualdade de género: avanços, retrocessos e reconfigurações

•  Violências de género: entre direitos humanos, políticas públicas e contextos de crise

•  Narrativas antigénero, conservadorismos e disputas ideológicas

•  Género, paz e conflitos armados

•  Justiça global, colonialidade e relações de poder

2. Conhecimento em disputa: género, poder e liberdades

•  Estudos de género, feministas e sobre as mulheres e relações de poder

•  Ciência, desinformação e contestação pública

•  Epistemologias e Metodologias Feministas e Queer

•  Educação, cidadania e currículos em discussão

•  Inteligência artificial e desigualdades de género

3. Precariedades, desigualdades de género e justiça social

•  Trabalho, emprego, precariedade e economia política de género

•  Pobreza, habitação e desigualdades sociais

•  Migrações, género e tráfico de seres humanos

•  Género, território, ambiente e justiça ecológica

•  Racismo e desigualdades estruturais

•  Diversidades, deficiência e cidadania

4. Sexualidades, diversidade e identidades: existências plurais

•  Direitos sexuais e justiça reprodutiva

•  Reconhecimento e direitos LGBTQIA+

•  Corpos, saúde e bem-estar

•  Sexualidades, afetos e identidades

•  Racialização e lugar de fala

•  Violências de género: práticas, poderes e resistências

•  Transformação das relações de intimidade, famílias e parentalidades

5. Esfera pública, produção cultural e artística e poder simbólico

•  Produção artística e cultural: visibilidades, narrativas e disputas

•  Esfera pública e governança da informação: poder, controlo e mediação

•  Género, media e Jornalismo

•  Discursos de ódio e violência online

•  Artivismo: práticas artísticas e políticas